O mundo de frente pra parede.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Nineteen Eighty-Four de George Orwell

Prólogo.

Em 1948, Quando a distopia 1984 de George Orwell foi públicada, o mundo passava por um período de profundas mudanças de ponto de vista 1 . A realidade passou a ser definida simplesmente por qual lado do muro as pessoas estavam. O avanço do comunismo e a estabilização do capitalismo tornaram-se os motivadores de todos os fatos históricos contemporâneos ao autor do livro.
Orwell criou um universo dentro de um universo e o povoou com o que ele mesmo chamou de Socialismo Inglês (
INGSOC em novilíngua) e mostrou através da mais bela metafora da literatura britânica como os seres humanos vivem cercados por regras que crêem serem imutáveis e eternas 2, o funcionamento do controle de realidade, noção de verdade e mentira, como as sociedades totalitarias organizam seus braços controladores, como a burocracia viabiliza seus dominios e principalmente, através da figura do personagem Winston Smith e de seus interlocutores, tenta traçar o caminho que o espirito humano percorre para livrar-se do jugo não do sistema e das ditas "polícias" mas do jugo de si mesmos.
Mais importante do que a história que Orwell criou são os conceitos que ele trabalhou tirando-os de sua propria realidade e aplicando à distopia. E com estes conceitos pretendo mostrar que desde 1948 e até mesmo antes disso até hoje o comportamento humano segue leis fixas e imutaveis, gerando a tragédia do abandono da consciência.
Orwell não profetizou um futuro apocalíptico como Burgess, nem uma sociedade tecnocrata como Huxley. Ele mostrou uma sociedade exatamente como a sociedade em que ele vivia. 1984 não era seu futuro, 1984 é o presente.
Capítulo por capítulo, acompanhar o fio da história e mostrar como Orwell via o abandono da verdade e dos direitos e necessidades humanas para um bem maior, que com certeza não é o da felicidade.
3


1 - Mudança essa que torna a percepção de realidade totalmente diferento do que acontecia antes da guerra. O mundo estava agora dividido entre duas potências que regiam sua influência no mundo pelo medo. O ponto de vista é o que faz com que os países evoluam ou retrocedam, o que faz com que as pessoas peguem em armas, protestem ou aceitem. Quando só existe 1 ponto de vista aparente, todo o ser consciênte torna-se cego, desamparado e obediente.


2 - Muitos dogmas são discutidos durante o livro porém o personagem de Winston não empenha-se em refutá-los. As verdades absolutas do INGSOC são contornadas e desobedecidas muitas vezes durante o romance mas, como todo dogma, aceitas mesmo que com desprovação. Esses dogmas serão discutidos com mais cautela adiante.

3 - A felicidade é um sentimento que aparece muito pouco dentro do Partido ( entidade detentora do poder ). As preocupações e o desconforto gerados pelo sistema torna possível apenas uma sensação de alívio, no máximo de satisfação, nunca de felicidade. Esse sentimento só aparece nas personagens quando estão ligados a fatos exteriores ao Partido e seu controle.

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